Quinta, 30 de Outubro de 2008

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Saudade doce que dói

Publicado por admin em 30 Out 2008 | sob: poesias

saudade doce que dói

da mesa sempre posta

do bolo-de-fubá

do rocambole

cobertos pela toalhinha de tricô

feitos no velho fogão

daquela humilde casa

do cheiro do café sempre fresco

das xícaras com desenhos delicados

de bruços

lado a lado

do avental sempre limpinho

dos cabelos brancos

presos num coque

caprichado

dos olhos-criança

que negam o brocado do rosto

tão marcado

do sorriso tolerante no

convite carinhoso:

meninos hora do lanche

lavem as mãos

saudade doce que dói

nesta lágrima que me escapa

e repousa

num tempo que não volta mais

dedicado ao meu amigo Armando Fernandes

e a senhora sua mãe

Sandra Falcone

Maio/2007

Um bom dia

Publicado por admin em 30 Out 2008 | sob: poesias

Será um bom dia
Pensa um poeta
ao olhar as folhas
que lhe acenam
do colo do vento.

Será um bom dia
porque olha a estrada
a lhe mostrar que a vida
é só feita de esquinas.

Será um bom dia
Escolhe o poeta
No caldo das horas
sem mexer se faz poesia.

Cris Niederauer

A Dança

Publicado por admin em 30 Out 2008 | sob: poesias

Olhei nos olhos do dia.
Límpido, compreensivo
Na dança matinal disse
de um brincar de não-pensar.

E como se aprende esse brincar?
Quem sabe dançar sem sonhar,
sem correr, sem desejar?

E mais: quem sabe não perguntar?

Ah! Essa mente tão séria.
Não fosse noiva do tempo
Daria a mão ao espaço
Lugar do riso, do avesso do denso.
Terra de simplesmente existir.
De saber que o lugar é um não-lugar.

Cris Niederauer

Momentum

Publicado por admin em 30 Out 2008 | sob: poesias

O vento na janela
sussurra
o verso de entrelinha.
A linha das teclas
ecoa
o barulho da cozinha.
Arrepio de frio.
Chá quente.
Verde,
o chá.
Verde,
a folha de escrever
poemas.

Cris Niederauer

Aos amigos do Portal do envelhecimento

Publicado por admin em 30 Out 2008 | sob: poesias

Encontrei o meu olhar perdido
esta manhã. Bem de frente
ao espelho
quando penteava meus cabelos.

Ele sorria para mim.

Havia o toque jovial
de antigamente
percebi o tom de gracejo do olhar
brincando comigo
rindo de meu estado cansado logo pela manhã.

Ri-me com ele. Abracei o meu olhar
num grito de juventude
e eu me vi correndo novamente
por um determinado campo
em direção a um certo lago
para um encontro belo e tão pouco lembrado.

Tudo me veio como um golpe de ar lúdico
também querendo brincar.

Parei com tudo e respirei:
Vi meu corpo, vi meus cabelos escassos,
olhei a face emaciada e as rugas
no canto dos olhos.

E vi o jovem dentro de mim
resgatando a vida plena que vivi
gritando orgulhoso por estar assim.

Alberoni 17/10/08