Meu corpo ,petrificado em ouro,
ofereço aos deuses em sacrifício.
De minh´alma, no nascedouro,
escorrem lavas no precipício.

O vulcão que em mim habita,
que ferve em núvens de fogo,
traça em retas a sina maldita,
que me envolve inteira no logro

das armadilhas do tempo. Loucura!
Seres do Olimpo, venham a mim!
afastai longe as sombras escuras,
postai-vos todos ao redor, no fim!

Aberto em chagas, clama o peito
por piedade! Meus incautos atos,
tal pedra bruta, me lançaram ao eito,
escrava, purgando perversos tratos.

Meu pecado não foi o de Jocasta
não carrego no peito tal peso impuro!
A trêmula carne, travestida em casta,
carrega as marcas do meu perjuro.

Ó deuses, aceitai minha oferenda!

Watfa A. Tannus Ramos