poesias

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Boa tarde

Publicado por admin em 30 Set 2009 | sob: poesias

Oração.

Ave Maria Gratia Plena
que este momento difícil
se afaste por instantes
para que haja descanso.

Um reflexo pequeno
da devoção de alma. Outro toque
da pétala macia da flor
que cresce nos sonhos
desde a infância…

Uma pequena luz no fim do túnel aparecendo
para dar ânimo e energia.

Ave Maria Grata Plena
Miserere nobis.

alberoni 30/09/09

Só para românticos. Declaração em tom de conversa

Publicado por admin em 30 Set 2009 | sob: poesias

Quando o meu amor me chamar
não responderei.

Nunca estive distante
sempre ao alcance de seu braço
não há porque responder
quando se está presente,
como corpo apegado
como algo agregado … se é que me entende.

Carregarei junto de mim
um pensamento saudoso isso sim -
algo já vivido e as vezes esquecido
só para manter um tom nostálgico
e querer sempre mais.

Sempre mais, além de um abraço
e de um olhar sustentado
com o afeto de sempre
de todos os sempre poucos anos
de toda uma vida e enfim.

Quando o meu amor me chamar
nada direi.

Darei a flor amarela
colhida quase por acaso
desse mesmo passado presente

cada vez mais.

alberoni 30/09/09

Visão

Publicado por admin em 30 Set 2009 | sob: poesias

Eu vi um sorridente
Quando me apareceu na estrada.
Cerrada Mata, bichos e ruídos
não lusco fusco da noite que se aproxima.
 
Logo adiante, um lago
que refletia uma Lua Cheia
e os grilos como orquestra
à espera.
 
Eu a reconheci não pelas roupas
Não pelo sorriso já dito
ou pelo olhar vago e vivo como se fosse Possível
ser assim Um Olhar
 
Eu a reconheci
pela pena de águia nos cabelos.
 
E quando vi uma índia de outras épocas
o passado escondido já no presente
vi sua vida e sua morte já envelhecida
em meus braços.
 
Vi nossos filhos crescendo
sorrindo para mim também.
 
Alberoni 28/09/09

Fractais de Minha Face

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

Nas assimétricas tiras de meu rosto,
tal traçado geométrico, assim posto
em fractais divididos aleatoriamente,
faz meu ser fragmentado e demente.

Cada pedaço em rota torta, diferente,
caminha em curso alternado, à frente,
à procura do que meu corpo ignora,
mas, em ânsia, vasculha a toda hora!

Juntar os pedaços e refazer a figura,
tarefa inglória, inda que minha jura
soe em altos sons, gritos e clamores,
perfazendo o curso de rotas e dores.

Em várias direções, assim dividida,
o recompor da minha face exaurida,
é exigir de mim o talvez impossível
esculpir de um rosto, que seja crível.

Watfa A. Tannus Ramos

Oferenda

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

Meu corpo ,petrificado em ouro,
ofereço aos deuses em sacrifício.
De minh´alma, no nascedouro,
escorrem lavas no precipício.

O vulcão que em mim habita,
que ferve em núvens de fogo,
traça em retas a sina maldita,
que me envolve inteira no logro

das armadilhas do tempo. Loucura!
Seres do Olimpo, venham a mim!
afastai longe as sombras escuras,
postai-vos todos ao redor, no fim!

Aberto em chagas, clama o peito
por piedade! Meus incautos atos,
tal pedra bruta, me lançaram ao eito,
escrava, purgando perversos tratos.

Meu pecado não foi o de Jocasta
não carrego no peito tal peso impuro!
A trêmula carne, travestida em casta,
carrega as marcas do meu perjuro.

Ó deuses, aceitai minha oferenda!

Watfa A. Tannus Ramos

Deusa Láquesis

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

Eflúvios me entontecem! Seus aromas

perpassam o meu corpo, em su´alvura,

deixando em meus poros os sintomas:

frescor e languidez nas aberturas!

Esqueço, por momentos, os teus atos.

Deixaram, indeléveis, muitas marcas,

feriram, contundentes, nossos tratos

jurados em louvor às deusas parcas.

E Láquesis tornou-se vingativa!

Cortou o fino fio da união,

a nossa, fortaleza transitiva…

Os deuses, comovidos com a ação,

lançaram os perfumes, (tentativa!)

almíscares, a doce tentação…

Watfa A. Tannus Ramos

O branco e o rubro

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

Tecido, que macio roça a pele,
os poros o recebem pra que sele,
em fios de alvura entrelaçados,
a rósea cor c`o rubro, que aos bocados,
escorre lentamente pelas veias,
espera em seus laços, rendas, teias.
O branco, que cintila exuberante,
nas tramas enrascadas, qual brilhante,
resiste à mistura com a cor
que dança incessante no interior
do corpo que a acolhe com fervor.
Pacífica união, que tinge e encanta
a bela, a que adorna as vestes tantas!

Watfa A. Tannus Ramos

Desconstrução

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

O entorno, desigual ao que eu tinha,

meus livros desfolhados, já caídos,

desfere rude golpe em meus sentidos,

o que em mim provoca a dor que é minha.

As tralhas, em lugares conhecidos

de mim, me circundavam quais amigas,

tocando em meu mundo as cantigas,

sussurros que embalavam meus sentidos.

E hoje, o meu mundo desconstruido

me fere, em confusas sensações,

as que me balbuciam emoções,

feridas que não tinha em tempos idos.

Meu tudo já é nada, sem retorno,

fagulhas crepitando no meu mundo,

convite ao despencar, bem lá no fundo,

tornando o meu viver um tempo morno.

Watfa A. Tannus Ramos

Íngreme caminho

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

As crespas pedras, íngreme caminho,

que forram esta estrada, a que uso,

deformam meu andar, no desalinho

dos blocos, no arranjo tão confuso.

O andar é claudicante, inseguro,

nos côncavos, convexos, à espera,

e poças já se formam no escuro,

c’os pingos, os já grossos, nas crateras.

Ensopo minhas vestes de cetim,

encolho os já descalços pés feridos.

Comungo, desolada, dos que assim

persistem na miséria: desvalidos.

Caminho que persigo me é raro.

Andar desprotegida é um acaso.

Galgar disformes pedras, (desamparo!)

me diz de arranhaduras do descaso.

Watfa A. Tannus Ramos

Minha mãe também reza

Publicado por admin em 22 Ago 2009 | sob: poesias

Minha mãe também reza
em seus pedidos e cura desavenças
Ai! Pai Benedito, Pai Lucas,
Mãe Lúcia e outros enfim
Bezerra de Menezes, André Luis
e N. S. Senhora, Yara Mãe D’Agua das flores
e Cablocos de todas as cores.

Padre Vítor, N. S. Desatadoras de Nós - essa é forte como o quê! -
Zé Pelintra para os desajustes bravos
de casórios irrefletidos,
e São Benedito, e São Pedro e São Paulo
e Cosme Damião/Doum
Crispim Crispiniano
Caboclinho da Mata
Cabocla Raimunda para os partos retidos
e as dores de quebranto em geral!

Ai Jesus, que confusão!

Mas, o que cura, o que resolve mesmo
mais além que esse rosário de santos …

É o olhar perdido de minha mãe,
no seu olhar pedinte, no seu olhar pedindo aconchego!….

No nosso olhar de filho acolhido
em seu próprio infinito!
Amén.

Grato Marise, por esta suas belezura, numa quinta feira cheia de vida!

Alberoni

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